Programação

Programa Preliminar
SBED
Imersão em Ozonioterapia
no Manejo da Dor
Fundamentos científicos, evidências, segurança e demonstrações práticas
Conteúdo efetivo 9 horas e 30 min.
Imersão presencial 1 dia
Turma recomendada 30 a 50 vagas
Blocos alternados Teoria + prática
Recomendação central

A imersão deve ser apresentada como uma atualização científica e prática, centrada no uso complementar da ozonioterapia no manejo da dor. O programa prioriza raciocínio clínico, dosimetria, avaliação crítica das evidências, segurança e documentação, com demonstrações das vias locais e sistêmicas em simuladores e circuitos fechados.

Delimitação pedagógica

As vias sistêmicas são incluídas para conhecimento técnico, comparação de métodos e análise crítica. A demonstração não representa autorização para uso assistencial, recomendação de rotina ou certificação de competência independente. Não haverá aplicação sistêmica em pacientes durante a imersão.

Posicionamento institucional

O desenho proposto combina a tradição científica da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), capítulo brasileiro da IASP, com a atuação prática em Dor. A ozonioterapia é discutida como recurso adjuvante, inserido em um plano terapêutico multimodal e orientado por diagnóstico, risco-benefício e desfechos clínicos.

1. Perfil da imersão
Público-alvo

Multiespecialidades interessados no manejo da dor.

Pré-requisitos recomendados
  • Conhecimento básico de anatomia musculoesquelética e avaliação clínica da dor.
  • Experiência prévia com procedimentos injetáveis ou acompanhamento por instrutor habilitado.
  • Leitura prévia do material introdutório e das normas indicadas pela organização.
Objetivo geral

Apresentar os fundamentos científicos, tecnológicos e clínicos da ozonioterapia aplicada ao manejo complementar da dor, associando análise de evidências, segurança, demonstração técnica e tomada de decisão clínica.

Competências esperadas
  • Compreender a geração do ozônio medicinal e diferenciar concentração, fluxo, volume, tempo e quantidade de ozônio.
  • Calcular e registrar parâmetros técnicos de forma reprodutível.
  • Avaliar o paciente com dor considerando componentes nociceptivos, neuropáticos e nociplásticos.
  • Reconhecer indicações, contraindicações, riscos e critérios de interrupção.
  • Compreender as aplicações intra-articular , paravertebral e intradiscal.
  • Conhecer, de maneira demonstrativa e crítica, as principais formas sistêmicas descritas na literatura.
  • Documentar indicação, consentimento, parâmetros, evolução funcional e eventos adversos.
Metodologia

Aulas dialogadas e estações práticas. As técnicas invasivas serão treinadas em modelos anatômicos e simuladores. Procedimentos complexos serão apresentados por vídeo, imagem e demonstração docente, respeitando qualificação profissional e infraestrutura.

2. Programa de 9h30min
Manhã | História, geradores, prática e fisiopatologia
Horário Formato Conteúdo e atividade
8h00-8h15 Abertura Retirada de credenciais, abertura, Dr José Oswaldo, Dra. Carla Leal e Dr Wilfredo Urruchi.
8h15-8h45 Teoria História da ozonioterapia - Dra. Carla.
8h45-9h45 Teoria A molécula de ozonio e seus geradores - Dr Wilfredo.
9h45-10h00 Intervalo coffee break
10h00-11h30 Prática Pratica e apresentação de geradores. Dr Wilfredo, Dra. Carla. Dr. José Oswaldo e Staffs.
11h30-12h15 Teoria Fisiopatologia do Ozonio - Dr. José Oswaldo.
12h15-13h30 Almoço Almoço
Carga Horária Carga horária prevista: 9h30min, conforme a programação do curso.
2. Programa de 9h30min - continuação
Tarde | Vias de administração, segurança e prática
Horário Formato Conteúdo e atividade
13h30-14h30 Teoria Vias de administração do ozônio - Dra. Carla.
14h30-15h30 Teoria Toxicidade relacionadas a ozonioterapia, doses de segurança - Dr. Wilfredo.
15h30-16h15 Teoria Técnicas locais para dor: aplicação intra-articular, paravertebrais, intradiscais e pontos de gatilho. Principais complicações - Dr José Oswaldo.
16h15-16h30 Intervalo Coffee break
16h30-17h10 Teoria Autohemoterapia menor e maior. Principais Complicações - Dr. Carla Leal
17h10-18h30 Prática Prática de vias de administração. – Dr. José Oswaldo, Dra. Carla e Dr Wilfredo
18h30-18h40 Encerramento Encerramento entrega de certificados.
Distribuição pedagógica
Aulas teóricas fundamentos, fisiopatologia, vias e segurança
Atividades práticas geradores e vias de administração
Abertura e encerramento credenciamento e certificados
3. Vias sistêmicas: escopo demonstrativo

A inclusão das vias sistêmicas atende ao objetivo de mostrar como essas modalidades são descritas na prática complementar da dor, sem transformar a imersão de nove horas e trinta minutos em curso de habilitação. Cada método deve ser acompanhado de uma leitura crítica da evidência e de sua situação normativa.

Modalidade O que será demonstrado Limite educacional
Auto-hemoterapia maior Circuito fechado, recipientes e linhas compatíveis; variáveis de concentração, volume, mistura e tempo; sequência simulada com líquido inerte. Sem coleta, ozonização ou reinfusão de sangue humano.
Auto-hemoterapia menor Organização dos materiais e simulação do fluxo operacional; discussão dos objetivos propostos e das limitações de evidência. Sem aplicação intramuscular em participante ou paciente.
Insuflação retal Apresentação do kit, controle de fluxo/volume, lubrificação, posicionamento e medidas de segurança, utilizando simulador. Sem aplicação em pessoa; discussão crítica do status experimental.
Solução salina ozonizada Montagem do sistema, transferência gás-líquido, influência de concentração, fluxo, tempo, temperatura e decaimento. Sem infusão; não apresentada como protocolo assistencial autorizado.
Sistemas extracorpóreos Comparação conceitual entre técnicas, componentes, controle de processo e riscos potenciais. Visão geral, sem operação invasiva ou treinamento de competência.
Via não demonstrada

A injeção intravenosa direta da mistura gasosa não integra o programa. Além de não constar no escopo clínico autorizado para dor, envolve risco grave e não deve ser confundida com técnicas extracorpóreas nas quais o sangue é tratado fora do organismo.

Mensagem docente obrigatória
  • Distinguir claramente uso descrito na literatura, uso experimental e indicação clínica regulamentada.
  • Não apresentar protocolos heterogêneos como consensos universais.
  • Mostrar que quantidade de ozônio, dose biológica e dose efetivamente entregue não são conceitos equivalentes.
  • Registrar que uma demonstração técnica não substitui formação prática extensa, supervisão e requisitos profissionais.
4. Segurança, governança e limites
Enquadramento médico atual

A Resolução CFM nº 2.445/2025 regulamenta a ozonioterapia como procedimento médico e não medico adjuvante , por via intra-articular, e dor lombar por hérnia de disco, por via paravertebral ou intradiscal. Exige diagnóstico nosológico, equipamento regularizado, registro sistemático dos parâmetros e monitoramento dos desfechos. Os procedimentos em coluna têm requisitos específicos de ambiente, orientação por imagem e qualificação do médico.

As vias sistêmicas não integram essas indicações assistenciais para dor. A nota de esclarecimento do CFM informa que vias intravenosa e retal permanecem experimentais. Por isso, neste programa elas aparecem como conteúdo demonstrativo e crítico, não como treinamento assistencial em pacientes.

Equipamentos e regularização sanitária

A Nota Técnica Anvisa nº 41/2026 orienta que emissores de ozônio sejam previamente regularizados e utilizados exclusivamente nas indicações e condições previstas em suas instruções de uso. Antes de qualquer demonstração clínica, a organização deve conferir a regularização, a finalidade aprovada, os acessórios e os parâmetros do equipamento específico.

Estrutura recomendada
  • Turma de até 50 médicos, dividida em grupos de quatro a seis participantes.
  • Um instrutor por estação prática e um coordenador médico responsável.
  • Docente de tecnologia do ozônio, docente de dor e docente de procedimentos guiados por imagem.
  • Geradores, fonte de oxigênio, destrutores, materiais compatíveis, modelos anatômicos e phantom de ultrassom.
  • Checklists, ficha de cálculo, modelo de consentimento, modelo de prontuário e artigos selecionados.
  • Plano de segurança ambiental, descarte de materiais e resposta a intercorrências.
Avaliação e certificação

Sugere-se pré-teste, pós-teste e checklist de desempenho nas estações. O documento emitido deve ser denominado certificado de participação ou atualização. A comunicação do evento não deve sugerir que nove horas e trinta minutos isoladamente habilitam o participante para procedimentos intervencionistas complexos..

6. Referências para organização do curso
  1. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.445, de 21 de agosto de 2025. Acessar fonte
  2. Conselho Federal de Medicina. Nota de esclarecimento sobre a Resolução CFM nº 2.445/2025. Acessar fonte
  3. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Nota Técnica nº 41/2026/SEI/GQUIP/GGTPS/DIRE3/Anvisa. Acessar fonte
  4. International Association for the Study of Pain. Curriculum Outline on Pain for Medicine. Acessar fonte
  5. Associação Brasileira de Ozonioterapia. Curso Ozonioterapia e Terapias Injetáveis na Dor Musculoesquelética, valores publicados para agosto de 2026. Acessar fonte
Fontes consultadas Fontes consultadas em 3 de setembro de 2026.
Observação final

Este documento é uma proposta acadêmica e comercial preliminar. A programação definitiva deve ser validada pelas diretorias e comissões científicas da SBED, pelos docentes responsáveis e pela assessoria regulatória/jurídica do evento, considerando a infraestrutura e os equipamentos efetivamente utilizados.